Power Rangers Armada Pirata EP #03

NAVEGANDO EM ÁGUAS DESCONHECIDAS

No alojamento do Dylan Olsen, Billy e Elizabeth caminhavam pela pequena sala do apartamento de forma vagarosa olhando em volta, reparando principalmente em um quadro na parede à frente do pequeno sofá. Nele, havia fotos antigas de todas as equipes de Rangers, alguns papéis com anotações e um barbante vermelho preso com tachinhas ligando itens com informações que Dylan anotava e as fixava no quadro. Em uma das fotos, jazia a equipe da outrora conhecida como Força do Tempo. Elizabeth, com um olhar saudoso, passa a mão carinhosamente por ela, algumas lembranças vêm a sua mente, mas sua viagem mental ao passado é interrompida com a voz de Dylan indagando…

Então ele apareceu no Porto Oito e lutou com os monstros invasores? — Dyllan não conseguia deixar de assistir o vídeo do celular, dando play por diversas vezes. — Isso é incrível.! — Ele sorri ao mesmo tempo em que devolve o celular para Elizabeth, que o guarda de volta ao  bolso. — Já faz dez anos que os Rangers desapareceram da face da terra, e justamente aqui, em Atlântida, aparece um. — Diz ele se sentando no sofá de dois lugares.

A gente queria saber se nos seus estudos a respeito, tem alguma coisa que possa explicar isso! — Diz Billy se sentando ao lado do anfitrião.

Bom… — Segue Dylan — Até onde eu sei todos os Rangers desapareceram da face da terra no fim da Guerra Lendária e nunca mais apareceram, e também nenhuma outra ameaça foi detectada até então. O sacrifício dos Rangers praticamente erradicou o mal do planeta, eu até arriscaria dizer, do universo. — Dylan se levanta e fica à frente de seu quadro. — Por que agora?

Sem mencionar esse terremoto, maremoto ou seja lá o que foi que aconteceu. — Acrescenta Elizabeth.

Dylan segue — Bom, pra causar todo esse caos aqui dentro de Atlântida, podemos supor que foi um evento bem fora do normal, considerando o tamanho da cidade e toda estrutura que a compõe. Pra causar todo esse estrago, deve ter sido algo grande, algo bem fora do comum.  — Ele começa a confabular — Depois, uma invasão em um dos nossos portos e em seguida um Power Ranger aparece. Não foi uma equipe? Foi apenas um? — Indaga

Isso mesmo? —  Confirma Elizabeth.

Um Ranger Vermelho — Confirma Billy. — E o Navio dele ainda tá lá no porto.

Um brilho surge nos olhos de Dylan e um sorriso inspirador se estampa em seu rosto — Esses eventos não podem ser coincidência, devem estar todos conectados. Eu…eu preciso ver isso com meus próprios olhos. 

Ele pega uma blusa cinza que estava dobrada sobre o sofá e a veste seguindo em direção a porta — O Ranger está atracado no Porto Oito, certo? — Pergunta enquanto coloca a mão na maçaneta da porta. 

Espera Dylan — Billy tenta interrompê-lo — Nem dá pra se aproximar do navio, os Guardiões de Prata estão vigiando tudo, fora as câmeras de segurança. 

Eu vou achar um jeito de entrar — Insiste enquanto abre a porta. — Eu preciso ver e…. 

Antes de concluir sua fala, assim que abre a porta, uma moça estava do lado de fora pronta para bater. A garota de vestido branco até a altura dos joelhos, cabelos castanhos em rabo de cavalo e sapatos pretos estava à frente de Dylan. 

Hãã…Oi — Cumprimenta meio sem jeito. Ela trazia consigo uma pequena sacola. — Eu…É…queria agradecer por hoje.

Logo atrás dela, um rapaz que todos ali já tiveram o desprazer de conhecer. Sam Miller estava parado atrás da garota, de cara fechada, com um pequeno curativo na testa do lado esquerdo, e aparentava não estar muito feliz.

A garota dá um pequeno esbarrão com o cotovelo em Sam que entende o recado, e então, lutando contra todas as forças do seu ser interior, começa a falar… — Eu …Eu queria te agradecer por ter me ajudado naquela hora. Eu teria morrido se não fosse por você.

Em seguida, outro cutucão da garota e Sam continua — E eu…Peço desculpas pelas brincadeiras mais cedo. Não era minha intenção te ofender.

A garota então volta seu olhar para Dylan e sorri. Ele por sua vez ainda mantinha a boca entreaberta aparentando uma surpresa pela situação. Uma cutucada de Elizabeth e ele volta a seu estado normal — Hã…Claro…É…Desculpas aceitas, mas é que eu…

Ele quer que vocês entrem. — Elizabeth interrompeu, puxando a garota pelo braço para dentro do apartamento e Sam entra logo em seguida.

O que? — Dylan indaga instintivamente. Em seguida, respira fundo uma decepção e fecha a porta.

Você me ajudou hoje à tarde com o meu namorado mal-educado… — Ela fala dando ao Sam um olhar de reprovação… —  E, eu gostaria de agradecer. — Ela estica o braço oferecendo a sacola que trazia consigo para o garoto, que reluta um pouco, mas a pega. Olhando dentro da pequena sacola, percebe que o presente de agradecimento era um livro.

Isso é…Muito gentil da sua parte — Sorri — Mas sério, não precisava.

Há, eu faço questão. Eu fiquei sabendo que o Sam foi um babaca hoje com você. — Outro olhar de reprovação ao namorado e segue explicando — Você salvou a vida dele mesmo depois dele ter te destratado e eu peço desculpas pelo comportamento dele. Não é o bastante… — Se refere ao livro — Mas quero que seja um começo. Eu me chamo Beatriz, mas pode me chamar de Bia. 

Bom, deixa eu me apresentar então — Elizabeth toma a frente na conversa — Eu sou Elizabeth e esse aqui é o Billy, e o moço aí você já conhece.

Enquanto Dylan olha o livro que acabara de ganhar, a garota dá uma olhada em volta e percebe os papéis na mesa de centro, o quadro na parede com várias imagens de equipes de ranger — O que é tudo isso? — Indaga. 

O Dylan é tipo um historiador de Power Ranger. Ele pesquisa sobre o assunto desde a faculdade. — Explica Billy enquanto cruza os braços e olha para Sam também com um olhar de reprovação.

E a gente tá tentando traçar um paralelo entre as coisas que ele já sabe e o Ranger que apareceu hoje à tarde no Porto Oito. — Conclui Elizabeth.

Então, foi isso que aconteceu hoje? Apareceu um Power Ranger? — Indaga Sam de forma surpresa.

Bia… — Interrompe Dylan — …É que a gente estava de saída. Então se vocês não se incomodarem…

Pra onde vocês estão indo? — Pergunta ela — O Sam pode dar uma carona pra vocês. Não pode amor?  — Ela pergunta de forma autoritária enquanto Sam arregala seus olhos em reprovação.

Vamos ao Porto Oito, eu quero ver aquele Ranger Vermelho de perto. — Diz Dylan já com um pouco de ansiedade.

Sério? — Beatriz indaga demonstrando surpresa — Eu preciso ver isso também. Então vamos todos juntos — Beatriz define com um sorriso.

Bia! — Sam a segura pelo braço chamando sua atenção — Você disse que eu só precisava vir aqui e me desculpar. Esse negócio de dar carona pra esses perdedores não estava nos planos. Vamos embora. — Ele sussurra para que os outros presentes não percebessem sua negação a carona.

Beatriz puxa seu braço se afastando de Sam e argumenta — Depois do que o Dylan fez por você, uma carona é o mínimo que você pode oferecer, além do mais, eu também tô curiosa pra ver esse navio e conhecer esse Ranger aí.— Termina sorrindo.

Então a gente vai lá, entra no navio, fala com ele e depois o que…? — Billy indaga.

Esse cara pode ser a chave pra deciframos um dos maiores mistérios da humanidade nos últimos dez anos. Ele pode responder o que aconteceu com os Power Rangers. Pra onde eles foram? Por que após o sumiço deles nenhum outro império do mal tentou invadir nosso planeta? Pode ser a descoberta do século, e pra você Elizabeth — Dylan olha para ela de forma decidida — Pode ser a matéria da sua vida.

Todos se entreolham após o discurso de Dylan, balançam a cabeça positivamente concordando com o colega.

Beleza — Concorda Billy — Vamos nessa.

Bom! — Sam toma a palavra de forma conformada a seguir as vontades de sua namorada —  Então, me sigam. Meu carro tá lá embaixo. 

………………………….

A madrugada avançava. Ali, em meio a escuridão da noite com os faróis desligados, estava estacionando um Chevrolet Spark cor preta. Dentro do carro, no banco do motorista estava Sam, e no banco do carona estava Beatriz. No banco de trás do lado direito Elizabeth e do lado esquerdo Billy e no centro, Dylan. De dentro do carro, os cinco faziam campana na esperança de ver o tão aguardado e misterioso Ranger Vermelho dar o ar da graça. Alguns metros à frente, era possível ver o navio intruso atracado e próximo a ele, cinco oficiais da Polícia dos Guardiões de Prata fazendo a vigia, porém, de onde os policiais estavam, não era possível pelo breu da noite perceber o carro estacionado.

E agora, o que a gente faz? — Pergunta Elizabeth, apreensiva.

A gente vai precisar distrair os guardas e entrar sem ser pego pelas câmeras. — Deduz Billy.

Dá pra hackear! — Fala Beatriz enquanto surge um sorriso maldoso em seu rosto.

Todos ficam em silêncio por um momento. — Tô com meu computador embaixo do banco. Eu me conecto a rede e “haqueio” as câmeras, nada que seja passível de alguém descobrir do outro lado, faço elas ficarem repetindo uma gravação em loop e antes que percebam nós já entramos e saímos. 

Sam olha para a namorada surpreso — Você consegue fazer isso? — Ele pergunta incrédulo.

Beleza pessoal. Vamos fazer isso. — Diz Billy abrindo a porta do carro e saindo seguido por Dylan e Elizabeth.

Beatriz abre a porta para sair do carro e quando tenta descer, Sam a segura pelo braço chamando sua atenção — O que mais eu não sei sobre você?

A gente só tá namorando Sam, eu não tenho que te contar tudo da minha vida. — Ela fala de forma séria, e em seguida sorri — Mas se isso é algo que te incomoda, eu explico — E então ela desce do carro, pegando sua mochila de baixo do banco do carona.  

Quando você colocou sua mochila no meu carro? — Sam pergunta enquanto desce pela outra porta. 

Os cinco se posicionam na frente do capô onde Beatriz coloca sua mochila, retira de dentro dela seu notebook e o liga. Ela então começa a digitar alguns códigos enquanto se explica para o grupo, ao mesmo tempo que responde a Sam sobre sua indagação anterior. 

O meu pai foi o engenheiro chefe da equipe que projetou essa estrutura de vigilância na cidade inteira, eu já estudava computação desde criança, sempre fui muito boa na escola, em matemática, e quando meu pai começou a trabalhar nesse projeto eu acompanhei praticamente tudo. Todo esse sistema de segurança foi criado por ele, e nada nesse sistema é estranho pra mim. Uma vez dentro da rede eu consigo manipulá-lo sem problemas. — Ela explica com um sorriso maléfico no rosto. 

Minha nossa! Parece que você tá gostando disso. — Conclui Elizabeth olhando para o rosto da garota. 

Um sonoro “pronto” sai da boca da garota ganhando a atenção de todos em meio a situação inusitada. — Eu cortei uma parte de um vídeo gravado dos últimos dois minutos de gravação e subi no servidor principal das câmeras, essa gravação vai ficar rodando em loop — Explica ela — Não vamos precisar nos preocupar com elas. — Sorri novamente.

Fora que também — Completa Elizabeth — Com o caos que a cidade ficou depois daquele balanço todo, eu duvido que tenha alguém prestando tanta atenção assim. Devem estar todos ocupados resolvendo problemas.

Agora só falta resolver o problema dos guardas. — Diz Billy apontando em direção a eles. 

Eu tenho uma ideia — Elizabeth toma a palavra mais uma vez — Mas você não vai gostar — Ela fala sorrindo enquanto olha para Sam.

O que? — Ele indaga!

Pega o carro e dirige em alta velocidade até lá, passa pelos guardas e faz uma arruaça e depois provoca um acidente. Enquanto eles estiverem distraídos com você, a gente sobe no navio. — Elizabeth explica.

Me dá uma razão pra eu fazer isso por vocês. — Sam se impõe, sorrindo debochadamente. 

Por que você me deve. — Dylan também se impõe de forma séria — Eu salvei a sua vida e você me deve. 

Sam olha para todos que o encaram de volta e então toma sua decisão — Beleza cabelinho de miojo! Eu faço, mas depois disso eu não te devo mais nada. Você entendeu? Se der qualquer coisa de errado, o problema é de vocês. — E então ele direciona suas palavras para Beatriz, sua namorada. — E quanto a você, espero que saiba o que está fazendo.

……………………………

O Chevrolet Spark surge do meio da escuridão em alta velocidade indo em direção aos Guardiões de Prata que estavam de guarda à frente da ponte que liga o navio ao porto. Logo que o som dos pneus atritando no asfalto chega aos ouvidos dos Guardiões, suas atenções se voltam para o veículo que vem em alta velocidade. O veículo passa por entre os cinco, dando uma freada brusca e acelerando novamente sob o controle do até então desconhecido para os guardas. O carro faz curvas, derrapagens, acende e apaga os faróis e segue nesse ritmo por uns três minutos até disparar novamente em direção a um grupo de barris alocados ali, e choca sua frente contra eles. Os barris se espalham pelo local e o carro finalmente para.

Os guardas até então no chão se levantam e correm para ver o que havia acontecido com o motorista e ao se aproximarem com suas lanternas iluminando o interior do veículo por sobre o vidro da janela do motorista, encontram Sam com o rosto sobre o air bag segundos antes acionado.

Enquanto os guardas estão ocupados com o “arruaceiro”, os outros quatro correm na direção do navio e sobem um atrás do outro pela rampa de acesso do navio chegando ao convés da embarcação. Sem que eles, ou os guardas ou mesmo Sam percebesse, uma outra figura espreitava em outro ponto da escuridão. A agente Reys ao lado de sua moto, observava os jovens subirem pela ponte de acesso ao navio.

O que esse pessoal está aprontando? — Pergunta de forma retórica.

Ela então se afasta de sua moto, saca sua arma e começa a caminhar na direção do Navio que acabara de ser invadido por Elizabeth, a garota que a pedido do Prefeito Collins ela procurava, e pelos outros jovens que a acompanhavam. Conforme ela ia se aproximando uma forte neblina começava a surgir pelo local.

Mas o que? Não dá pra enxergar um palmo diante do nariz!

Ela caminhava seguindo em frente, virava para os lados, voltava passos para trás, mas não importava o que ela fizesse, parecia não conseguir sair do lugar presa dentro da neblina que se formou ali.

Que coisa mais estranha!! 

……………………………

A neblina toma conta do entorno da embarcação como se a protegesse de qualquer influência externa. Ao pisarem no convés, quase não era possível ver nada fora daquele ambiente. A frente deles uma porta se abre dando acesso a parte interna do navio. Apreensivos mas ainda instigados pela curiosidade eles seguem caminhando pelo convés em direção a ela, cada passo gerava um rangido no piso de madeira envelhecido pelo tempo. Eles finalmente  passam pela pequena porta. Foi preciso que eles baixassem um pouco seus corpos para conseguir passar por ela e assim, um por um, eles foram acessando o ambiente interno da embarcação.

Agora, finalmente dentro da cabine, eles observam o local. O espaço, a olhos nus dava a impressão de não obedecer às leis da física, pois parecia muito maior do lado de dentro do que o próprio navio era do lado de fora. Nas paredes do lado esquerdo havia algumas caixas de madeiras com várias tralhas de prata e bronze, provavelmente tesouros encontrados em alguma jornada do pirata que detinha posse do navio, ali também alguns barris e alguns sacos de cor branca encardida pelo tempo alocados em cima deles. Do lado direito, cinco comportas abertas com canhões posicionados com seus canos para fora e ao lado dos canhões, mais caixas com bolas de ferro enchidas de pólvora que eram usadas como munição. O piso e as pilastras de madeira tinham uma cor envelhecida assim como a madeira que compunham o navio do lado de fora, nas pilastras de sustentação da estrutura havia lampiões pendurados por correntes enferrujadas, que traziam um pouco de luz ao local e ali no fim da sala, recostado na extremidade do navio como se fosse um altar uma espécie de púlpito com um baú aberto em cima. Dentro do baú, quatro itens estranhos de pedra onde aparentemente havia cinco, pois um dos espaços estava vazio, chama a atenção dos quatro jovens. Os itens pareciam uma espécie de dispositivo arcaico, com alguns números em relevo na parte de baixo, e acima dos números um “X” formado pelo que parecia, ao chegar mais próximo do objeto, duas espadas de pirata cruzadas entre si.

Que lugar fantástico! — Exclama com a voz baixa, Beatriz. 

Billy e Dylan se aproximam do Baú enquanto Elizabeth começa com o seu celular a fotografar tudo dentro da cabine. Até que uma voz masculina é ouvida pelos quatro que se viram da direção dela.

 — O que vocês pensam que estão fazendo?

O homem que se mostrava aos quatro estava ao lado da escada que eles acabaram de descer, usava um sobretudo de couro preto, uma camisa com botões de cor marrom por baixo, uma calça de couro e botas pretas. Seus olhos eram castanhos e trazia em seu rosto uma barba rala e por fazer. Possuía cabelos pretos curtos e bem desgrenhados. O homem dá alguns passos de forma vagarosa na direção dos jovens invasores enquanto eles se juntam e vão dando passos para trás, sem perceber que se aproximavam do baú no altar logo atrás deles. Rapidamente o dono da embarcação estica seu braço e sua espada surge provinda de uma luz que brilha rápida e intensamente e em menos de um segundo, a lâmina já estava sendo apontada para os jovens. — Por muito menos eu fiz inimigos pelos quatro cantos desses mares, e como meus inimigos, seus destinos foram selados na lâmina da minha espada.  Vocês ousam invadir a embarcação de Jack Gallagher?

Dylan de forma cuidadosa, com as mãos erguidas demonstrando calma e rendição, dá um passo à frente ficando entre a lâmina e o pirata. — Técnicamente você invadiu nossa embarcação. 

— Como é?

Pois é — Elizabeth toma a palavra — Sua embarcação surgiu no porto da nossa cidade flutuante e está atracada aqui desde então, logo…. técnicamente você é o invasor. 

Contrariado com a afronta e a resposta da garota, o pirata dá dois passos para trás abaixando sua espada. — Eu não invadi a embarcação de vocês — A espada brilha nova e rapidamente desaparecendo das mãos dele. — Vocês surgiram na minha frente do nada e danificaram minha embarcação, por isso eu tive que atracar aqui, e eu ainda fiz o favor de salvar vocês da invasão da Ordem Pirata.

Então você é mesmo um Power Ranger de verdade? — Dylan pergunta com um sorriso no rosto?

De novo isso? — O pirata puxa uma cadeira de madeira do lado de um dos barris e se senta cruzando os braços. — Eu não sei o que é um Power Ranger, mas parece que isso é muito comum pra vocês. 

Assim que o pirata se senta, os quatro conseguem relaxar percebendo que o anfitrião não representava mais perigo.

Os Power Rangers foram heróis que salvaram a terra por diversas vezes. — Billy explica. — Todas as vezes que o mundo correu perigo, os Rangers apareceram para defendê-lo. Como você não os conhece?

Eu não sei de que mundo vocês vieram, mas nesse mundo esses tais Power Rangers nunca existiram. — O pirata segue — Nesse mundo, se você não se defende sozinho, não há ninguém que vai fazer isso por você. 

Pera ia!! Nesse mundo!? — Dylan se espanta! — Caramba! — Ele abaixa a cabeça levando a mão sob o queixo como se estivesse juntando informações e procurando uma conclusão — Na hora do terremoto que sacudiu Atlântida…. — Dylan se vira com um olhar arregalado para os outros como quem acaba de descobrir algo. — Será que…que a gente não tá mais na terra.

Pelas barbas do Pirata! Então vocês realmente são de outro mundo! — O pirata deduz.

Tá legal gente, isso já é demais. Vocês não tão falando sério. — Beatriz com um sorriso nervoso olha para todos e para o anfitrião e percebe que todos estão muito sérios e com um olhar de preocupação, e então continua… — Droga, você tá falando sério. — E o semblante da garota muda completamente. — A gente foi transportado pra outro mundo naquela hora?

Tudo se encaixa — Billy toma a palavra assustado com a situação. — Mas se a gente veio parar em outro mundo, que lugar é esse? Onde a gente tá?

O pirata cruza as pernas — Eu não sei de onde vocês vieram, mas aqui é a Terra. 

Será que é outra Terra? — Pergunta Elizabeth intrigada.

Antes que o pirata tome a iniciativa de responder, um pequeno tremor dentro da cabine do navio se inicia e um zunido começa a ecoar pelo espaço. Enquanto os quatro jovens tentam se equilibrar pegos de surpresa pelo balançar da estrutura, o Báu no altar logo atrás deles começa a brilhar. Ao perceber aquele evento, o Pirata se levanta tentando se equilibrar e ele passa por entre os jovens que também se viram na direção do item brilhante. Vários fachos de luzes coloridas começam a circular a estrutura do pequeno objeto que guardava os itens de pedra. Luzes verdes, rosas, amarelas e azuis davam voltas e voltas sobre a superfície do baú.

Ele…Ele está reagindo à presença de vocês — O Pirata deduz de forma surpresa — Mas por que? 

Os itens de pedra começam a rachar e mais luzes acompanhadas de um ruído ensurdecedor que faz os cinco levarem as mãos aos seus ouvidos e gritar de dor, saem de dentro das rachaduras iluminando ainda mais o local e finalmente uma explosão de luz acontece acompanhada de um grande estrondo, levando todos os cinco ao chão de forma violenta. A escada que mantinha o contato entre o Navio e o Porto Oito de Atlântida se recolhe para dentro da pequena embarcação, e ela começa a se mover. Seguindo o caminho de saída do porto da cidade a embarcação segue pelo túnel de acesso ao porto por alguns segundos até chegar em alto mar, deixando a cidade flutuante para trás. 

Assim que o Navio deixa a cidade, a neblina em volta da Agente Reys começa a se dissipar, e finalmente, como se saísse de dentro de um limbo, ela percebe estar no porto na frente de onde o Navio, horas atracado, ali deveria estar. A embarcação havia desaparecido sem, nem ao menos, manifestar um ruído sequer.

O Navio Pirata sumiu!! — Exclama ela

É então que ela percebe a movimentação dos guardas em volta de Sam que gritava e esbravejava frases como, “Você sabe com quem está falando?”, “Minha família tem muito dinheiro” e coisas assim. Os guardas tentavam a todo custo dar voz de prisão e algemá-lo sem sucesso. Reys olha novamente para o lugar onde o navio estava e olha para confusão metros à frente como se tentasse decidir a que dar mais atenção, e então ela começa a caminhar na direção dos guardas, segundos depois ela alcança a balbúrdia, toma a algema das mãos de um dos guardas, pega no ombro de Sam e o empurra contra a lateral do Chevrolet Spark batido. — Você tem o direito de permanecer calado e tudo que disser pode e será usado contra você! — Ela conclui algemando-o.

Espera moça, eu não fiz nada!! — Ele grita — Quem você pensa que é? — Ele esbraveja.

Levem ele pra Sede dos Guardiões — Ela ordena aos guardas — Eu vou seguir com a minha moto.

Os guardas acatam a ordem da Agente do Centro de Comando e primeira imediata do Capitão Mitchell.

………………………

Em um outro local, perdido na longa imensidão desse mar sem vida, uma misteriosa estrutura que nascia das profundezas e subia alguns metros ao céu. Aquele tipo de formação gigante e rochosa se assemelhava a uma caveira rodeada por uma neblina densa e sombria. Seguindo por um longo túnel escuro com água negra subindo a trinta centímetros do solo, dentro da caverna, jazia um trono construído com o que parecia ser caveiras humanas, ocupado por um ser corpulento, com uma pele de cor negra e músculos que saltavam aos olhos de quem o visse, além de cabelos com fio grossos que desciam pelas laterais de seu rosto.

O poder!! Finalmente o poder despertou! Então estava com aquele pirata inútil o tempo todo. Eles estão em alto mar, eu posso sentir. O tesouro que ele guarda, deve ser meu de qualquer forma.

Um outro ser escondido na escuridão, tão corpulento quanto o seu capitão sentado ao trono, se aproxima. Gills tinha uma coloração no corpo que variava entre o marrom e o dourado, olhos brancos que brilhavam na escuridão e uma cabeça com formato quadricular e elementos ondulantes nas laterais de seu rosto. Seu corpo possuía elementos aparentemente mecânicos misturados a elementos de origem orgânica. Uma capa vermelha terminava de compor seu visual estranho.

Capitão Barbarossa. A invasão à cidade flutuante que surgiu no horizonte de nosso mundo não foi bem-sucedida. Nosso enviado acabou sendo destruído. — O subordinado segue suas explicações. — Me parece que o pirata Jack Gallagher usou um dos tesouros novamente para nos impedir. 

Sim —  Barbarossa interrompe — Mas eu consigo sentir o poder dos outros tesouros despertando. Neste momento estão em alto mar. Eu, Capitão Barbarossa, o terror dos Mares deste mundo, quero que leve um grupo da nossa Ordem Pirata e esmague aquele insolente. Traga os tesouros para mim.

Sim senhor. Trarei os cinco tesouros para o senhor e esmagarei a cabeça de Jack Gallagher a ainda que isso custe a minha vida.

……………………..

Já amanhecia na cidade de Atlântida, quando o Chefe Stanton entra pela porta da sala de interrogatório da Sede dos Guardiões, um ambiente inteiramente cercado de paredes de concreto onde havia apenas uma mesa e duas cadeiras. Lá dentro sentado de um lado da mesa estava Sam, de cara fechada olhando para o teto, e do outro lado, a Agente Reys de braços cruzados. 

Sabe do que eu gosto menos do que ficar acordado a noite toda, senhor… — Ele pega uma prancheta em cima da mesa e lê o nome do convidado na ficha. — Samuel Miller? — Ele mesmo responde — De acordar no meio da noite porque um adulto, que já deveria ter saído da adolescência a anos, andou por aí fazendo baderna.

Me…Me desculpe senhor. — Sam abaixa a cabeça. — Eu prometo que não vai mais acontecer. — Ele então volta seu olhar ao recém chegado parecendo prestes a  implorar. — Posso ir pra casa agora?

Infelizmente não. — Reys toma a palavra — Eu sei que você usou aquela brincadeirinha irresponsável com o carro pra distrair os guardas pros seus amigos subirem no navio. — Ela deduz — Mas o que seus amigos foram procurar lá dentro afinal?

Eu tô encrencado? — Sam pergunta com um certo receio. 

Você vai responder a um processo administrativo. — Ele para por um instante — Já seus amigos estão bem encrencados. 

A agente Reys se levanta — Hoje cedo, pouco antes de amanhecer, o Navio deixou o porto oito e desapareceu, levando seus amigos juntos com ele. — Ela pega uma folha de sulfite e arrasta até Sam lhe entregando também uma caneta. — Termina de preencher essa ficha e logo nós vamos pegar seu depoimento.

Stanton movimenta sua cabeça de forma a solicitar a Agente Reys que o acompanhe para fora da sala, e os dois saem. Do lado de fora, ainda ao lado da porta já fechada Stanton solicita a garota 

Preciso de uma nova reunião com Collins e Mitchell, o mais rápido possível. E mais uma vez sem alardes.

Tudo bem senhor — Ela prontamente responde — Eu preciso votar mesmo pra Sala de Controle. Assim que possível entrarei em contato.

…………………………………..

A consciência dos quatro jovens caídos no chão de madeira da espaçosa cabine no interior do navio retorna de forma lenta. Billy é o primeiro a tentar se levantar e perceber em sua mão um objeto que aparentava, à primeira vista, ser uma chave. Em seguida os outros também se levantam ao mesmo tempo e, ao olharem suas mãos direitas, também se dão conta que havia uma chave nelas. Dylan imediatamente se vira para o Baú que antes brilhava intensamente e que provocou uma explosão de Luz lançando-os ao chão e percebe que os quatro objetos dentro dele, que antes eram de pedra, agora tinham outra aparência, a de metallica e coloridos, com a cor predominante em vermelho.

Todos os Tesouros foram despertados! — Jack passava por entre eles com os olhos incrédulos — Então, o poder deles reconheceu vocês!? — Ele se vira para os quatro que ainda sem entender nada se entreolham. 

Antes que o pirata possa seguir com sua afirmação, um pequeno e suave assobio é percebido pelos ouvidos dos cinco, um assobio que ia ficando aos poucos cada vez mais alto. Aquele som já era muito familiar ao pirata que, sem dizer uma palavra, corre para cima dos jovens empurrando todos para o lado da parede onde os Barris e sacos estavam. Na parede contrária, um forte e estrondoso impacto acontece, graças a uma explosão a centímetros do casco na lateral do navio. Uma forte onda é provocada e a embarcação é arrastada metros pelas águas do mar até se estabilizar novamente. Quando a turbulência cessa, o pirata é o primeiro a se levantar e correr escada acima partindo em direção ao convés do navio. Do convés ele sobe até a proa do navio segurando em um dos encordoamentos que sustentava uma das velas e percebe a mais de um quilômetro de distância outro navio pirata vindo em sua direção. O Navio constituído de uma madeira negra, com as velas abertas que traziam em seu centro um símbolo de uma caveira também na cor negra avança contra o Navio de Jack. Na proa do navio inimigo havia uma figura que Gallagher, já conhecia bem.

Gills!! — Ele exclama com um olhar de ódio.

Billy, Dylan, Elizabeth e Beatriz sobem ao convés e depois a proa juntando-se ao pirata e também enxergam o perigo que se aproximava. 

Aquilo é um navio pirata? — Dylan pergunta deixando escapar um pequeno sorriso.

Não — Elizabeth responde — Aquilo é outro navio pirata.

Espera um pouco! — Billy chama a atenção descendo para convés seguido por Beatriz — Cadê a cidade de Atlântida? 

Beatriz se apoia na borda da lateral do convés olhando para todos os lados possíveis — Aquela cidade é enorme. Quão longe a gente navegou pra não ter nem rastro dela?

Do outro lado, no navio inimigo que vinha em direção aos jovens de Atlântida, Gills imponente com sua capa vermelha e seus braços cruzados, ordena. — Carreguem o canhão móvel mais uma vez!!

Os seus soldados de cabeça cônica arrastam um canhão sobre rodas para a frente de Gills e o carregam com uma munição num formato de uma bola preta pesadíssima. Com o canhão armado, Gills se posiciona ao lado e ergue o braço pronto para dar a ordem.  

Do outro navio, Jack Gallagher percebe o que estava prestes a acontecer. Eles seriam alvejados mais uma vez. Então ele se move rapidamente passando por Dylan e Elizabeth e corre para atrás do leme girando-o todo para o lado esquerdo. — Protejam-se!! — Grita ele. — Eles vão atacar!!

Gills abaixa seu braço e o canhão do navio inimigo é disparado. O tiro vem em direção ao navio de Jack que gira seguidas vezes para esquerda fazendo sua embarcação se movimentar, mas não rápido o suficiente para evitar que a lateral direita fosse atingida com um impacto violento e uma explosão fosse provocada, levando Beatriz, ainda no convés, a perder o equilíbrio e ter seu corpo projetado no ar voando para fora do navio. Enquanto Dyllan e Elizabeth são arremessados da proa para o convés chocando-se violentamente no chão. Billy por sua vez age rápido e consegue segurar Beatriz pelo braço antes que ela despencasse, ficando os dois pendurados na lateral do navio. Beatriz com o corpo do lado de fora, e Billy com o corpo do lado de dentro segurando-a pelo braço.  

Aguenta firme!! — Billy cerrava os dentes demonstrando estar usando toda sua força para impedir que a garota caia. 

O Navio inimigo ganha velocidade vindo na direção do Navio de Jack. 

Billy tenta a todo o custo não deixar Beatriz cair na água enquanto o Navio ainda balança sem estabilidade. Jack tenta de todas as formas manter o controle de sua embarcação, enquanto Dylan e Elizabeth ainda no chão do convés tentam se levantar. 

Preparem para se colocarem lado a lado com nosso navio inimigo. — Ordenava Gills a seus lacaios — Vamos invadir e pegar o que é nosso. 

Ao tomar a decisão de invadir o Navio do Ranger Vermelho, os quatro jovens se colocam em uma situação desesperadora. Barbarossa,o grande capitão dos Mares da Terra, ordena a caçada ao grupo, ao mesmo tempo que o tesouro ao qual ele procura desesperadamente desperta. Uma batalha entre as duas embarcações está prestes a começar!

Continua …. >

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Muito obrigado!!

1 comentário em “Power Rangers Armada Pirata EP #03”

  1. Quando você me pediu para fazer a revisão eu quase neguei. Explico: Procurando prestar atenção aos detalhes gramaticais, como uma boa revisão pede, tive receio de não aproveitar o texto apenas como leitor, mas meus temores se mostraram infundados, quando, mesmo vendo direitinho o que poderia e/ou deveria ser corrigido (uma letra aqui, uma faltade vírgula ali, coisinhas assim) A leitura se mostrou fluída e por demais agradável!
    Eu gostei em primeiro luga de como tá construindo os personagens, sem pressa, dando camadas sem ser expositivo, por exemplo, eu adorei a dinânima entre o Sam e a Beatriz, com ela falando (mandando) ele fazer algo e ele acabando por fazer, contrariado, mas, sendo espero, fazendo. Me diverti bastante.
    E outro ponto a ser destacado é a ambientação e a forma como as descrições dos barcos bem como sua movimentação e, nesse final espetacular, a forma que se desenrola uma verdadeira batalha naval. Mal posso espérar pelos próximos capítulos dessa saga que, pela sua escrita verdadeiramente milagrosa, me fez curtir algo de Power Rangers.
    Parabéns!!

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